2016 · Aconteceu · ambiente

Celular quase perdido! 

Quando a vida se torna uma incógnita.Aeroporto com aquelas prateleirinhas do banheiro que só falta colocar uma plaquinha: “esqueçam seus objetos aqui por favor!”

Sim, foi numa dessas que eu coloquei meu óculos (mas pq mesmo que entro de óculos num aeroporto e no banheiro?) Pra fazer charme, nada mais banal que isso. E em minhas mãos tinha uma mochila e o meu terceiro braço. Sim, todos tempos um: o celular! Como se no momento do banheiro eu fosse atender alguma ligação, como se no momento em que eu estivesse lavando a mão precisasse atender a ligação. Não tinha ninguém passando mal em casa não, não tinha nenhum desespero pra isso. Mas é somente a questão do terceiro braço já estar culturalizado no meu membro fantasma. Pronto, um cenário todo pronto pra perder ou óculo (charme) ou o celular (necessidade? dúvidas…)

E foi justamente aquele que meus olhos (por eu ser baixa) não enxergam que eu perdi.

Saí, andei, procurei um local pra comer, até que depois de pedir… Lembro do meu terceiro braço: coração acelerou, batimentos cardíacos corria mais rápido que Rubinho, (não, não tinha nenhum nudes não). O problema era comprar outro… ah comprar outro celular é um problema, escolher novo modelo, se adaptar… Mas enfim. Largo tudo e corro, minha amiga larga tudo e corre pra me ajudar. Começo a ligar pro meu celular (e que bom que eu não deixei ele no modo avião, pq eu viagens eu deixo em alguns momentos). 

O primeiro sinal é de desligado: pensei… perdi! A pessoa pegou, e desligou… mas ela nem vai poder utilizar ele, pq desligou não?).

Desistimos da procura, o nosso voo é chamado. Ok, pensamentos positivos temos que ter nas horas ruins não? 

Que bom, vou comprar um novo celular.

Que bom que não perdi nenhuma foto, porque antes de sair do hotel eu gravei tudo no computador (pensei: só falta o computador ser roubado…) 

E procuro mais algum pensamento bom, mas realmente eles fogem…

Daí resolvo ligar de novo, UFA tocando, e tocando, e tocando… e minha mentes pensa: quem é o retardado que não atende?

Liguei 4x e nada.

Até que na minha insistência, da quinta vez, a pessoa atende, eu saio da fila de embarque:

EU: oi, vc está com meu celular, onde vc está?

PESSOA: Estou no portão 214.

EU: estou indo ai, eu estou do seu lado no 213, qual roupa… TÚ TÚ TÚ..

NINGUÉM: a pessoa simplesmente desliga o celular.

EU COM PENSAMENTO POSITIVO: tadinha, não sabe mexer no celular (porque isso existe gente).

EU: ligo de novo 1x, 2x, e a pessoa não atende… 

Isso eu já estou no portão 214 com cara de desespero, cabelo em coque, e o celular na orelha… olhos arregalados, indo de um lugar pro outro. Eu estou naquela situação que fica claro que a pessoa perdeu algo.

Olho ao redor penso: Quem está com meu celular, certamente está com mesmo comportamento que eu:

– procurei alguém de pé, procurei alguém com cara de desespero… e nada.

Nessa hora pensamento positivo deu tchau.

Liguei novamente e a pessoa atende:

EU: oi, qual roupa vc está? vc tem certeza que está no portão 214? Porque não estou te achando, como vc é?

PESSOA: Estou com blusa creme, e vc?

EU: Nem lembro o que respondi…porcaria, eu estava no portão certo… igual uma louca, de pé, com celular na mão. NINGUÉM estava em pé, ninguém estava com celular na mão.

PAUSA ESSENCIAL PRA ENTENDER O AMBIENTE:

DAI UMA OBSERVAÇÃO DA MINHA AMIGA: um homem se levanta de sua cadeira, e começa a gesticular pra mim gritando:

Celular, aqui ó, está com com ela, celular…

Eu não vi nada, porque nessa hora já estava pensando que iria perder meu voo, e estaria ferrada, e pensando o que seria mais barato, um novo voo, ou comprar mesmo um celular…

Eu não vi nada…

Até que nesses segundos, rapidamente pensei:

vou continuar falando com a pessoa e vou procurar alguém com celular na mão… porque ela está brincando de gato e rato (tá certo, não foi ela quem perdeu…)

Olhei detalhadamente pra todo mundo, e achei.

Achei uma senhora sentada com celular na mão… (está certo, não era ela quem perdeu o celular).

EU: achei a senhora.

PAUSA ESSENCIAL PRA ENTENDER O AMBEINTE:

O homem assim que viu que eu olhei pra direção deles, ele sentou.

CONTINUA:

Olhei pra ela, e disse:

A senhora achou, muito obrigada.

ELA ESTAVA DE BLUSA FLORIDA, não de creme…

Ela estava com uma adolescente do lado e uma pessoa bem mais nova que ela, aparentando uns 35…

Ela disse:

Eu coloquei o celular na bolsa, e começou tocar. Daí falei pra minha filha: seu celular não para de tocar, foi quando minha filha tirou da bolsa dela o seu celular e eu atendi. Eu estava torcendo pra vc ligar.

Minha amiga que estava vendo tudo de fora, chega perto e agradece também, ficamos sei lá quanto tempo agradecendo.
Emoções baixas, rindo até e pensamentos estranhos invadem a minha mente e a mente dela, e discutimos o assunto:
Mas quem em sã consciência guarda um celular perdido dentro da bolsa?

Mas quem em sã consciência não fica com celular na mão esperando a pessoa ligar?

Mas quem em sã consciência fica com uma adolescente do lado e uma outra pessoa e nenhuma das três se mexem pra fazer um sinal?

Mas quem em sã consciência não leva o celular do achados e perdidos?
Pode ter várias razões, para as várias perguntas.

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